10 fotógrafos para conhecer

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Anders Petersen

O sueco Petersen passou três anos fotografando no bar Café Lehmitz, em Hamburgo, e saiu de lá com com um resultado impressionante: o livro de fotos homônimo ao lugar veio ao mundo em um preto-e-branco cru e intenso, capturando os clientes do lugar – bêbados, prostitutas, travestis, viciados – de uma maneira íntima e honesta, com as pessoas posando e interagindo com o fotógrafo. A abordagem extremamente pessoal de Petersen procura não racionalizar, buscando ser afetiva e visceral, ou como o próprio resumiu, o encontro ser mais importante que o registro. O resultado tem uma força incomparável, fazendo inclusive Tom Waits usar uma das fotos da coleção como capa de sua obra-prima Rain Dogs.

As pessoas no Café Lehmitz tinham uma presença e uma sinceridade que eu mesmo não tinha. Era aceitável ser desesperado, ser terno, de sentar sozinho ou de dividir a companhia de outros. Havia um grande calor e tolerância nesse ambiente destituído.

Câmera: Contax T3 com lente 35mm

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Robert Frank

O crítico Sean O’Hagan, escrevendo para o The Guardian em 2014, disse que o livro The Americans de Robert Frank “mudou a natureza da fotografia, o que ela poderia dizer e como poderia dizer”. O fotógrafo nascido em Zurique passou dois anos nos Estados Unidos reunindo 28.000 negativos dos quais 83 fotos dariam origem a The Americans em 1958, com prefácio de Jack Kerouac, o beatnik que assim como o fotógrafo cruzara o país e conhecera seu lado pouco idealizado. A captura de momentos cotidianos e íntimos e situações de necessidade e pobreza foram recebidos com desagrado nos Estados Unidos, que julgaram que Frank estava “queimando” sua imagem mas o impacto já estava feito: a fotografia de rua dificilmente seria a mesma.

Há uma coisa que a fotografia deve ter, a humanidade do momento. Esse tipo de fotografia é realista. Mas realismo não é o suficiente – há de se ter visão, e os dois juntos podem fazer uma boa foto.

Quando as pessoas olham minhas fotografias eu quero que elas tenham a mesma sensação que eles têm quando lêem o mesmo verso de um poema pela segunda vez.

Câmera: Leica III com Lentes 35mm, 50mm and 90mm

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Alexander Rodchenko

Na linha de pensamento que coloca a arte como uma ferramenta da política (a não separação de forma e conteúdo, mas a interdependência), destaca-se na arte soviética o escultor, artista, designer gráfico e fotógrafo Alexander Rodchenko, com um estilo baseando em linhas e grandezas de tirar o fôlego, investindo nas composições uma dinâmica de perspectiva e alturas de câmera que tornam tudo grande, poderoso e enérgico, valorizando o movimento e o impacto e deixando de lado o detalhismo. Tendo como modelos o cidadão operário da URSS, a ideia do Construtivismo era, como disse o companheiro de revolução  El Lissitzky, “uma arte construtiva que não decora, mas organiza a vida” e Rodchenko era firme na ideologia de fazer uma arte proletária, com materiais e linguagem compreensível.

“Em ordem de educar o homem em um novo caminho, objetos familiares devem ser expostos a ele com perspectivas totalmente imprevisíveis e em situações inesperadas. Novos objetos devem ser retratados de diferentes lados em ordem de prover uma compreensão completa do objeto.”

Câmera: Leica I 35mm.

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Diane Arbus

A primeira norte-americana a ter suas obras expostas na Bienal de Veneza, Arbus mostrou seu interesse por fotografia logo no início da vida adulta quando abriu uma agência de fotografia com o marido Allan, agência esta que teve vários trabalhos estampados em capas de revistas de moda. Com o fim da agência, o aprofundamento nos estudos e a independência, voltou sua atenção para grupos marginalizados produzindo trabalhos impactantes – os chamados freaks eram capturados com uma abordagem poética e bela em toda a crueza estética. Fazendo parte da Escola de Nova York junto a figuras como Robert Frank e Saul Leiter, as fotografias cada vez menos granuladas e mais claras de Diane causaram repercussão e polêmica na sociedade à época. A mesma tinha uma uma relação ambígua com suas fotografias, em diferentes épocas encontrando beleza nelas e odiando as mesmas. Foi interpretada por Nicole Kidman no filme A Pele, dirigido por Steve Shainberg em 2006 e que mostra como a vida e a arte se entrelaçaram e tiveram peso na definição de seu estilo.

Eu realmente acredito que existem coisas que ninguém veria se eu não as fotografasse.

Uma fotografia é um segredo sobre um segredo. Quanto mais ela te diz, menos você sabe. 

Câmera: Nikon 35mm, TLR Rolleiflex

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Richard Avedon

Richard Avedon dedicou sua vida à fotografia por quase seis décadas, de 1945 a 2004, ano de seu falecimento. Um grande retratista, Avedon pautou a carreira pelo preto e branco, valorizando a maior simplicidade de cenários o possível para que toda a atenção se volte para o primeiro plano, o rosto do retratado e as histórias que as expressões carregavam consigo. O século 20 passou pelas lentes do fotógrafo: além da foto de John Ford que ilustra o post, Avedon clicou Bob Dylan, os Beatles, Martin Luther King, Andy Warhol, Marilyn Monroe, Charles Chaplin, Pablo Picasso, Dwight Eisenhower, Malcolm X, Truman Capote… Todos vulneráveis, despidos, sinceros numa abordagem próxima e poderosa em sua concentração de elementos. Um dos fotógrafos que mais representaram o século da imagem.

Não existe tal coisa como inexatidão em uma fotografia. Todas elas são precisas. Nenhuma delas é verdadeira.

Câmera: Rolleiflex TLR, Sinar 8×10 300-360mm, filme Kodak Ektachrome 64

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Annie Leibovitz

A composição direta e forte de Richard Avedon. O valor do instante de Cartier-Bresson. A inspiração documental de Robert Frank. Todos esses mestres influenciaram Annie Leibovitz, que tornou-se uma das fotógrafas de celebridades mais famosas do mundo, graças a um olho para potenciais ícones estáticos que traduzam a personalidade do entrevistado em momentos únicos. Foi o que a levou a ser a fotógrafa oficial dos Rolling Stones, a ser a chefe da equipe de fotografia da Rolling Stones por 10 anos, a fotografar a icônica última foto de John Lennon, agarrado nu a Yoko Ono, clicar Demi Moore nua e grávida, consagrar a energia de Whoopi Goldberg banhando-se em leite… Os cliques de Annie sempre deram o que falar. Inesperados, inusitados e sempre chamativos na composição de ângulos, linhas e perspectivas escolhidas.

Quando eu digo que quero fotografar alguém, o que eu realmente quero dizer é que eu quero conhecer alguém. Eu fotografo todo mundo que eu conheço.

Câmera: Mamiya RZ67, Leica S2, Minolta SR-T 101, Nikon D3 DSLR, Canon EOS 5D Mark II

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Anton Corbjin

“Se não fosse pela música, eu nunca teria encostado em uma câmera”, diz o fotógrafo que com cliques famosos consagrou no imaginário coletivo poses de Nirvana, Miles Davis, Joy Division, Tom Waits, Henry Rollins, Nick Cave e outros, o cineasta que dirigiu “Control” e “O Homem Mais Procurado”, o diretor dos videoclipes “Enjoy The Silence” do Depeche Mode, “Heart-Shaped Box” do Nirvana, “One” do U2, o autor das capas dos discos “The Joshua Tree”, “Acthung Baby”, “Viva Hate”, “The Boatman’s Call”, entre outros. Todos eles são a mesma pessoa: o holandês Anton Corbijn, que tem uma assinatura singular e facilmente reconhecível, com um estilo que carrega no tom monocromático – entre P&B e sépia em sua maioria -, no foco seletivo que enfatiza o objeto fotografado e na saturação que desenha a relação claro e escuro e é um verdadeiro chamariz para os olhos. Corbijn é um dos artistas que ajudaram a definir a estética visual da música popular do século vinte, com sua sensibilidade apurada para traduzir música em uma experiência também para os olhos.

Eu nunca entendi modelos. Eu acho realmente difícil encontrar beleza neles ou descobri-la porque essa beleza é óbvia demais.

Câmera: Hasselblad, Leica

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Tim Walker

O inglês graduou em 1994 e teve como uma das primeiras ocupações o trabalho de assistente em tempo integral de Richard Avedon, Walker é responsável por alguns dos mais cativantes editoriais de revistas atuais – seus ensaios para Vogue, W e Love tem chamado a atenção junto com seus livros e exibições pelo estilo lúdico e onírico, frutos de sonhos e pesadelos, usando cenários de proporções inusitadas, figurinos e cenários inacabados e em metamorfose, inserindo o absurdo no convencional, em um puro delírio visual que aposta em uma variação cromática pensada e gradual, com as linhas e perspectivas “incorporando” o delírio para dentro do realismo. O fantástico e o poético de Walker é concreto e palpável, nos fazendo aceitar e admirar o entortamento de realidade de maneira quase instintiva.

Eu não acredito em originalidade. Você tira inspiração do que quer que te motive e você encontra sua voz nessas coisas.

Quando eu paro para pensar, fotografar para mim é realmente tipo de um estado onírico. Não é um sonho bom, não é um sonho ruim… É mais como se o seu dia ficasse enevoado e sua mente viaja, preocupada apenas com sua imaginação…

Câmera: Pentax 35mm

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Philippe Halsman

Não bastasse ser o autor da espetacular (e de dificílima execução) Dali Atômico, onde o estilo surrealista do pintor se materializa através de suas lentes, Halsman também clicou muitos outros retratos famosos do século 20: um Einstein melancólico e sombrio ao falar da bomba atômica, Jean Cocteau e suas muitas mãos, Hitchcock fumando um charuto onde um pássaro pousava, celebridades pulando… O estilo imaginativo e surreal de Halsman passada por um método bastante específico, onde trabalhava segundo seis regras: abordagem direta e forte, técnicas pouco usuais, os objetos e situações inesperadas, a retirada e ausência do óbvio, a combinação de todas as regras acima e a representação literal e iconográfica, nunca escondendo os objetos e modelos mas antes os explicitando. Esses seis passos para a criatividade pareceram surtir efeito: o século vinte parece ainda mais efervescente e descolado da realidade “careta” pelas lentes do letoniano depois naturalizado estado-unidense.

Um verdadeiro retrato deve, hoje e daqui a cem anos, ser um Testamento de como aquela pessoa se parecia e que tipo de ser humano ela era.

Um bom retrato é incrivelmente difícil de criar, há muita tentação em satisfazer o indivíduo do que realmente retrata-lo como ele é.

Câmera: 4×5 Fairchild-Halsman TLR (câmera DIY)

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Ansel Adams

Saindo do terreno dos retratos e dos editoriais e indo para o terreno das paisagens. Adams, integrante do Grupo F/64, tinha por objetivo a fotografia “reta”: imagens nítidas, máxima profundidade de campo, papel com baixo brilho com uma máquina mais pesada, indo na contramão dos “fotojornalistas”. Um fotógrafo “cientista”, que tirava fotos com rigor técnico tremendo, experimentando e ultrapassando as convenções normais de fotografia, com um preciosismo muitas vezes criticado por outras linhas de pensamento mas com muitos resultados que convocam o olhar de imediato e nos deixam atentos por longos momentos, conseguindo imprimir uma força impressionante no conjunto de cada elemento trabalhado em minúcia.

Não existem regras para boas fotografias. Existem apenas boas fotografias.

Uma verdadeira fotografia não só dispensa explicações como tampouco pode ser resumida em palavras.

Câmera: Arca-Swiss 4×5

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