5 livros policiais escritos por mulheres

Caso fosse feita a pergunta “quais seus autores de crime/policial/mistério favoritos? “,  a lista seria imensa. Mas ao mesmo tempo,  poucas autoras seriam citadas – e ainda assim,  só aquelas que constam entre os grandes medalhões dessa tradição.

Escritoras do gênero têm – e como têm – seu lugar garantido na história,  mas a predominância de homens nos holofotes sempre foi acentuada. Muitos já entraram em contato com suas obras,  direta ou indiretamente (por meio de adaptações para outras mídias) e às vezes nem se dão conta.

Quer conhecer mais?  Então vamos a alguns livros!

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E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos) (Agatha Christie,  1939)

A Rainha do Crime deu férias para  o seu célebre detetive Hercule Poirot e em 1939 lançou sua obra mais popular e mais vendida (mais de cem milhões de cópias),  que não demoraria muito para ser adaptada para o cinema e o teatro. Dez pessoas são convidadas ou contratadas para passar férias em uma ilha e assim que chegam lá são acusadas de assassinatos  da qual teriam escapado impunes. Após a acusação,  passam a ser misteriosamente eliminadas uma a uma com base em um tradicional poema inglês. Sozinhos na ilha, o clima de paranoia e desconfiança não demora a se instaurar. Com um fio condutor vigoroso e eletrizante, Agatha Christie utiliza com maestria a alternância do ponto de vista dos diferentes personagens, remexendo o passado e os pensamentos determinantes para as suas decisões e ações. E Não Sobrou Nenhum é uma bela justificativa do porque Christie ser a romancista mais bem sucedida da história – somando tudo,  seus livros venderam cerca de quatro bilhões de cópias!

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 O Talentoso Ripley (Patricia Highsmith, 1955)

Com a carreira iniciada na década de 40 como roteirista de quadrinhos, onde trabalhou para a editora Nedor criando histórias para o super-herói Terror Negro,  Patricia Highsmith não tardou a seguir a carreira de romancista de thrillers psicológicos. Sua estreia avassalodora com Pacto Sinistro (1950), adaptada para o cinema por Alfred Hitchock no ano seguinte e o polêmico O Preço do Sal (1952),  que abordava o amor entre duas mulheres (e que deu origem ao filme Carol [2015]). Mas foi a série de livros que tem o carismático e perigoso farsante Tom Ripley que consagrou a autora influenciada por psicanálise e existencialismo. Nesse primeiro romance,  Ripley é encarregado de localizar o filho de um milionário e,  quando o encontra,  inicia um perigoso triângulo com o jovem Dickie e sua namorada Marge. Com um dom para o engano,  a imitação e o disfarce,  Ripley consagrou-se em seus cinco romances publicados entre 1955 e 1991 como um dos mais populares vilões da cultura popular,  adaptado inúmeras vezes para rádio e cinema.

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Carne Trêmula  (Ruth Rendell,  1986)

 Considerada a sucessora de Agatha Christie no trono de “Rainha do Crime”,  Ruth Rendell deixou o emprego formal quando engravidou e começou a escrever nas horas vagas do trabalho caseiro. Foi assim que nos anos 60 surgiu o Inspetor Reginald Wexford, protagonista de inúmeros romances. Nos anos 80,  Rendell se reinventou sob o pseudônimo Barbara Vine,  quando passou a praticar uma maior sondagem psicológica dos seus personagens. Nessa época que foi publicado Carne Trêmula, adaptado para o cinema por Pedro Almodóvar em 1999. Conta a história de Victor Jenner, homem que passa dez anos na cadeia após aleijar um policial que o perseguia por um estupro. Apesar de alegar inocência, dizendo que não teve a intenção e que o policial de alguma forma teria provocado a situação, a justiça o condena e, quando o mesmo é liberado, tem de reconstruir a própria vida a muito custo, sempre tentado a cair na antiga vida novamente. Rendell explora cada recôndito da mente de Victor compondo um livro policial moderno e complexo, refletindo sobre como um único momento pode alterar uma vida para sempre.

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Post-Mortem (Patricia Cornwell, 1990)

Descendente da escritora Harriet Beecher Stowe, autora de A Cabana do Pai Tomás (1851-1852), Cornwell superou uma infância e adolescência traumáticas, se formou repórter e em seu primeiro romance, Post-Mortem, venceu seis prêmios nacionais e internacionais após ser rejeitada por sete grandes editoras. De quebra, ofereceu um romance diferente, o “thriller forense”, protagonizado pela legista Kay Scarpetta, que seria personagem em mais de 20 livros de Patricia. Em sua estreia, Kay já nos apresenta o uso ostensivo de tecnologia e autópsias que usa para solucionar os crimes – no caso, o estupro e assassinado de mulheres cometidos por um assassino cuja única evidência é um estranho odor corporal. Descrevendo uma protagonsita perturbada ao usar seu conhecimento científico para encontrar uma mente perturbada, Cornwell cria uma protagonista singular, já madura e divorciada, subestimada por um colega de trabalho machista e que descarrega suas frustrações cozinhando. Kay Scarpetta definitivamente destaca suas tramas da tradição cotidiana do gênero, protagonizando histórias que apresentam uma perspectiva pouco vista.

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Garota Exemplar (Gillian Flynn, 2012)

Amy e Nick pareciam um casal como outro qualquer. Ela escreve para revistas e é uma ex-celebridade-mirim. Nick é um jornalista. Quando ambos perdem seus empregos e se mudam de Nova York para o Missouri, começam as discussões entre o casal. Até que, no dia do aniversário de casamento, Amy some sem deixar rastros  e logo as suspeitas passam a recair sobre o marido, que tem várias evidências pesando contra si. Com os capítulos narrados em alternância entre os dois, logo aprendemos que Garota Exemplar tem como seu grande trunfo a utilização do narrador não-confiável. À medida que o livro avança, descobrimos que eles guardaram informações do leitor, o que promove uma sucessão de inacreditáveis e improváveis plot twists que compõem uma obra intricada que é o auge do sucesso da carreira da escritora. Sempre costurando de maneira desconfortável relacionamentos familiares e afetivos conturbados e temáticas sombrias e pesadas, pano de fundo já visto nos romances anteriores Objetos Cortantes (2006) e Lugares Escuros (2010). Adaptado para o cinema em 2014 por David Fincher.

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