Fan-service: essencial ou desnecessário? Entenda

Nos últimos meses os nerds de carteirinha vomitaram arco-íris com as obras que chegaram aos cinemas. Entre elas, a volta de Star Wars às telonas com O Despertar da Força e a adaptação de Batman V Superman foram as que mais se destacaram por utilizar o clássico fan-service, recurso nostálgico que muitas vezes somente os verdadeiros fãs entendem, como fator predominante. É claro que, assim como pode trazer ainda mais imersão ao projeto, seu uso também pode trazer o efeito contrário ao desejado, como vimos no embate entre o Homem de Aço e o Homem Morcego – já vamos entender o porquê. Será que o fan-service é realmente necessário para que possamos gostar mais de alguma obra? Usarei o sétimo Star Wars e Batman V Superman como exemplos, o que acho dois extremos quanto a utilização do fan-service e sua repercussão.

“Se eu sou fã, eu quero service”. Érico Borgo, um dos donos do site Omelete, gritou no vídeo em que fez o veredito de Batman V Superman e logo virou lema nacional quando se trata em adaptação de algo. Nesse caso sim, ele está coberto de razão, pois sim, queremos nostalgia, as páginas de HQs estampadas da mesma forma na tela, aquela frase clássica que arrepia até os cabelos da nuca ou aquele uniforme foda que aparece na edição tal ou no desenho antigo… E, de fato, Batman V Superman entregou o que os fãs – inclusive eu – queriam e até mais um pouco, causando uma onda de confusão e indignação na grande massa, os admiradores e curiosos, vamos dizer assim.

Acontece que no cinema, inclusive nas adaptações, tem de haver um equilíbrio entre o que o fã e o espectador em geral querem ver – um ótimo exemplo é o Universo Cinematográfico Marvel, que traz filmes que agradam ambos, por isso as bilheterias monstruosas. Quando não há o casamento entre eles, algum nicho acaba não apreciando da mesma forma que os demais, e foi aí que BvS errou. Não que o filme seja ruim, pelo contrário, a trama é bem estabelecida, o roteiro é simples e bem desenvolvido e os efeitos visuais são ótimos. Entretanto, enquanto seus seguidores o intitulam de “adaptação de quadrinho mais fiel já feita”, a massa já tinha esquecido dias depois de assisti-lo, por não ter justamente elementos suficientes para cativá-los e sim cenas “sem sentido e nada a ver”, segundo palavras de alguns. Não estou generalizando, já que conheço pessoas que, depois do filme, decidiram ler as HQs que serviram de inspiração para o filme, mas são casos isolados.
Na prática, vimos uma explosão de ansiedade no primeiro fim de semana de estreia, dezenas de recordes batidos e tantos fãs chorando de felicidade como espectadores indignados com o que viram. Nesse caso, o fan-service não ajudou a Warner Bros. , que esperava um resultado muito melhor do que a produção arrecadou.
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Agora que vimos o que aconteceu com Batman V Superman, do outro lado da moeda está Star Wars: O Despertar da Força, que equilibrou perfeitamente a questão do que transmitir para o público e agradar a todos. Aqui damos mérito total à equipe da Disney, que adquiriu os direitos da franquia após comprar a LucasFilm e, assim como faz com a Marvel e seu Universo Cinematográfico, traz filmes excelentes e agradáveis para todos os gostos.
Claro, também não podemos deixar de mencionar que não assistíamos a um filme decente de Star Wars há umas décadas e tudo o que nós queríamos era reviver a séria clássica como a conhecemos. O que o estúdio nos deu? Exatamente o que queríamos. Frases icônicas, personagens clássicos, situações parecidas, efeitos visuais excelentes e muito amor. Melhor ainda, a Disney foi mais além e proporcionou aos admiradores e curiosos uma chance de conhecer a série, trazendo uma trama que está nos padrões atuais de entendimento, um roteiro simples e bem desenvolvido e cenas de ação espetaculares. Foi impressionante o número que pessoas que vi tanto em redes sociais como pessoalmente que antes viam a franquia com um certo preconceito e após a nova versão se interessaram. Até as crianças amaram Star Wars: O Despertar da Força – e não precisou de uma versão remasterizada do Jar Jar Binks. Resultado? Dezenas de recordes batidos, sucesso absoluto de crítica e bilheteria – segunda maior da história -, certeza de um futuro e uma legião de novos fãs. Bom, aqui o fan-service não só ajudou a Disney, como seu casamento com elementos atualizados fizeram toda a diferença.

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Portanto, acho que chegamos numa conclusão. Óbvio que o fan-service é essencial para gostarmos mais de uma obra, mas não necessariamente precisamos jogá-lo a todo tempo na tela. Só para ter uma ideia, o mais recente filme da Marvel, Capitão América 3, não teve um fan-service que fez o fã vomitar arco-íris – exceto a cena do escudo refletindo o ataque no Homem de Ferro no clímax – e é uma das melhores adaptações de quadrinhos. Além do equilíbrio, mais importante ainda é a função de adaptar.
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