90 anos de Marilyn Monroe: um guia para seus filmes

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Marilyn Monroe por Andy Warhol.

“Quando eu tinha cinco anos, eu acho, foi quando eu comecei a querer me tornar uma atriz. Eu gostava de brincar. Eu não gostava do mundo em torno de mim, porque era algo desagradável, eu gostava de brincar de casinha. Era como se você pudesse fazer seus próprios limites… Quando eu soube que estava atuando, eu disse que era o que eu queria fazer. Algumas das minhas famílias adotivas usavam o cinema para me tirar de casa, e lá estava eu sentada na frente daquela tela grande, sozinha, eu adorava.” – Em entrevista à Life, 1962.

Falecida em 1962 aos 36 anos, Marilyn Monroe é um dos maiores ícones culturais do século 20, ao lado de um seleto clube. Norma Jeane Mortenson venceu uma infância difícil e traumática, repleta de abandonos e abusos.

Fotografada trabalhando em uma fábrica em 1944, Norma largou o trabalho operário para trabalhar como modelo, onde logo fez sucesso como pin-up, pintando seus cabelos encaracolados de loiro para atrair atenção publicitária. Em 1946, já havia aparecido em pelo menos 33 capas de revista.

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Antes da fama, 1944.

O sucesso a levou a ser contratada por uma agência de atuação, onde mudou seu nome e estourou na década de cinquenta. Era considerada difícil de trabalhar por uma mistura de perfeccionismo e insegurança, às vezes levando inúmeras tomadas até ficar satisfeita com o resultado.

Ao mesmo tempo, fazia questão de gerir a própria imagem mesmo sofrendo represálias de seus estúdios, recusando projetos, fundando a própria empresa de cinema e estudando o Método no Actors Studio, o que desafiava o estereótipo “loira burra” onde tentavam encaixá-la.

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Marilyn Monroe por Richard Avedon.

Até o ano de sua morte, suas obras já haviam somado uma avassaladora (para a época) bilheteria de 200 milhões. Estúdios tentavam a todo momento lançar uma sucessora e a imprensa cobria cada passo seu.

Mesmo com uma carreira curta, Marilyn se tornou um dos maiores símbolos do star system americano, com uma carreira repleta de momentos antológicos. Conheça abaixo alguns deles.

A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, 1950) e O Segredo das Jóias (John Huston, 1950)

Monroe participou desses dois filmes de sucesso logo no início da década após participações curtíssimas em outros filmes. No drama de showbizz de Mankiewicz, era a senhorita Caswell, uma jovem ingênua; já no filme noir de Huston era Angela, a mulher de um criminoso. Sua participação de cinco minutos no segundo foi elogiada pelos críticos. Juntas, as obras aumentaram sua projeção.

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Só a Mulher Peca (Fritz Lang, 1952)

Com uma tradução infeliz e machista do original Clash By Night, o filme do expressionista Lang apresenta Monroe em um papel menor mas ainda assim elogiado, interpretando a vendedora de anchovas Peggy. O drama que ameaça a descambar para violência a qualquer minuto deu a oportunidade para a atriz ter seu nome anunciados antes dos créditos da obra pela primeira vez.

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Almas Desesperadas (Roy Ward Baker, 1952)

Tentando provar à detratores que tinha talento para atuar, Monroe interpreta Nell Forbes, uma babá mentalmente perturbada. Ela desperta a suspeita do piloto Jed (Richard Widmark), que está hospedado no mesmo hotel para tentar reatar a relação com a cantora Lyn Leslie (Anne Bancroft em seu primeiro filme). Apesar do sucesso, houve críticos dizendo que ela ainda não estava madura para tal papel.

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O Inventor da Mocidade (Howard Hawks, 1952)

Monroe interpreta Lois, secretária de uma companhia química onde o cientista Barnaby (Cary Grant) quer descobrir uma fórmula rejuvenescedora. Descoberta por uma chimpanzé de laboratório, a fórmula faz o doutor agir com a energia de um garoto de 20 anos e sair pela cidade com Lois, tendo parte em inúmeras trapalhadas. Marilyn está engraçada e teve química com Grant, com a crítica lamentando ela não ser a atriz protagonista ao invés de Ginger Rogers.

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Torrente de Paixão (Henry Hathaway, 1953)

O primeiro filme em que o nome de Monroe foi o primeiro a vir nos créditos, como a grande estrela da produção é um exótico noir dos anos 50 filmado em technicolor. Em um papel atípico em sua carreira, Marilyn interpreta Rose, uma femme fatale que conspira com o amante para assassinar o marido. Tão vilã quanto vítima nesse suspense estilizado, Marilyn Monroe sentava no topo do mundo em 1953, com três sucessos de bilheteria no mesmo ano.

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Os Homens Preferem as Loiras (Howard Hawks, 1953)

A comédia musical de Hawks é um verdadeiro símbolo dos anos 50. Lorelei (Marilyn Monroe) e Dorothy (Jane Russell) são dançarinas em um cruzeiro seguidas por um detetive que quer descobrir se a primeira é infiel ao noivo. Cheio de sequências musicais e repleto de subtextos sexuais, o filme tornou-se célebre pela comicidade do duo Monroe/Russell e pela canção “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”.

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Como Agarrar um Milionário (Jean Negulesco, 1953)

O primeiro filme a ser filmado em widescreen é uma comédia romântica sobre alpinismo social, onde Monroe faz um trio cômico com Betty Grable e Lauren Bacall. Chamando homens ricos para o seu apartamento intentando casar com eles, acabam se apaixonando por pobretões. Com as três em seus estereótipos típicos e cheio de referências a outros filmes famosos,  foi um sucesso esmagador. Grable, pela primeira vez em anos, perdia o pódio nos créditos para Marilyn Monroe.

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O Rio das Almas Perdidas (Otto Preminger, 1954)

Um faroeste de Otto Preminger, algo inesperado para época. O filme sobre um improvável núcleo familiar protagonizado por personagens marginais teve gestação complicada, mas valeu a pena. Preminger extrai grandes atuações de seus atores, com as locações adicionando tensão ao filme desde o primeiro minuto. Apesar da boa bilheteria, Marilyn diria que esse era o seu pior filme, o que magoou o diretor.

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O Pecado Mora ao Lado (Billy Wilder, 1955)

Sim, é o filme daquela famosa cena, onde o respiradouro do metrô levanta o vestido branco da personagem. O icônico momento é tão referenciado que até quem não viu conhece. Em sua primeira colaboração com Billy Wilder, Monroe interpreta o tipo “bela e ingênua” que desperta a atração de um homem casado. Falar sério de adultério nos moralistas anos cinquenta já era quase impensável. Tirar sarro, então, foi um triunfo. Um dos filmes mais hilários do cinema.

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Nunca Fui Santa (Joshua Logan, 1956)

Cansada do estereótipo “loira burra”, Marilyn passou a recusar roteiros, o que levou o estúdio a suspender a atriz. Em resposta, ela fundou a própria empresa e passou a frequentar o Actors Studio. Mais famosa do que nunca e produzindo o filme, Marilyn esteve no comando de muitas decisões na filmagem da história tempestuosa entre um vaqueiro machista e uma cantora de bar com grandes sonhos. O ano de ausência se pagou: o papel valeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz.

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O Príncipe Encantando (Laurence Olivier, 1957)

No segundo trabalho da Marilyn Monroe Productions, a comédia produzida, dirigida e atuada por Laurence Olivier teve dificuldades pelo ator de teatro inglês entrar em conflito com a atriz do Método. A relação entre os dois rapidamente degradou e a história do romance entre um príncipe europeu e uma corista bem-humorada foi prejudicada. Enquanto Marilyn era natural, Olivier era teatral e o clima estressante da produção resultou em um filme de pouca química, ainda que simpático.

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Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder, 1959)

Alardeado por muitos como “a melhor comédia de todos os tempos”, Quanto Mais Quente Melhor tem  tudo: Tony Curtis e Jack Lemmon disparando um diálogo mais engraçado que o outro, uma história amalucada e bem amarrada e Marilyn passeando na medida certa entre drama, comédia, romance e números musicais. Cada vez que entra em cena, a rouba para ela. Fica difícil após a frenética e hilária cena final não concordar com os mais empolgados. Filme  irresistível.

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Adorável Pecadora (George Cukor, 1960)

À época que fez Adorável Pecadora, Marilyn já era uma lenda do cinema americano, ainda que no período de alguns poucos anos. Era justo contracenar com uma lenda do cinema europeu, Yves Montand, famoso por obras como O Salário do Medo e Z. Arthur Miller, marido de Monroe à época, reescreveu o roteiro para dar mais destaque à Amanda Dell, uma atriz que se vê envolvida em um romance com um bilionário que finge ser ator para se representar no teatro. Monroe considerava seu pior papel – dizendo que não havia nada para criar ali e que só fez para cumprir contrato.

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Os Desajustados (John Huston, 1961)

O canto de cisne de Marilyn Monroe e Clark Gable no cinema é um pesado drama que custou caro e mal se pagou à época mas angariou a reputação de clássico. Interpretam Roslyn e Gaylord, que lutam sem sucesso para encontrar seu lugar no mundo, ele sendo um homem brutalizado pela vida e ela uma mulher fragilizada pelo divórcio. Em um preto-e-branco cinzento e depressivo por parte de John Huston, o roteiro de Arthur Miller acabava por ecoar a “morte” do sonho cinquentista, com boa parte de seu consagrado elenco e equipe enfrentando graves problemas pessoais. Marilyn nunca esteve tão intensa, visceral e magnética quanto nesse filme. Intimista como poucas vezes Hollywood conseguiu ser.

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