Entre poetas, putas e gatos.

Um poema noturno ilustrado pela fotografia incomparável de Brassaï


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Rio de Janeiro, 2 de abril de 2012.

deve haver qualquer coisa
de louco, insensato
naqueles sorrisos (de puta)
que fazem as pernas tremerem

e só dizem a verdade que ninguém quer ouvir
ou as mentiras que aquecem
um coração.

entre línguas,
garras, pelos
e mãos,
você adormece

com uma nova chama
queimando todos os cortes
e se pergunta como tudo aconteceu.

teriam caminhado por Paris
como cegos ou palhaços
tateando as esquinas
dos bordéis?

teriam arrancado os véus
de uma dançarina marroquina
ou acreditado na cigana que veio
marchando com suas botas
desde a Rússia?

dizer a verdade entorpece
tanto quanto uma mentira
e vicia como cocaína

o quão superior você se sente por esse ato de coragem
só os poetas sabem dizer.
(e as putas também)

aquilo e todo o resto
só as putas
(e os poetas)
sabem sentir.

é uma escolha se quebrar
como atear fogo no próprio corpo
e sair glorioso
com mil cicatrizes

e um poema escrito
“pelo menos rendeu algumas linhas”
ou pérolas, tanto faz.

poetas ou putas
(ou gatos)
todos iguais.

somos uns cínicos, você já deve desconfiar.

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